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Projetos de sala de aula que podem salvar vidas

As lições da sala de aula só podem ser aplicadas depois da formatura, certo? Não para os estudantes de Enfermagem e de Engenharia da Universidade La Salle. O que esses cursos têm em comum, afinal? A inovação para salvar vidas, por exemplo. Da sala de aula para os hospitais, por que não?

 

A recuperação de pacientes com lesão na medula, internados em Unidades de Tratamento Intensivo, é sempre muito delicada e difícil. Qualquer escolha errada pode ser decisiva nesse processo. Avaliando esse cenário professores dos cursos de Fisioterapia e Engenharia Mecânica da Universidade La Salle projetaram um equipamento que pode facilitar o processo de recuperação respiratória dos pacientes.  “Normalmente os pacientes que estão submetidos a ventilação mecânica por tempo superior a 48 horas já apresentam comprometimento de forma geral na sua força e redução no percentual de fibras musculares, isso acontece também nos músculos responsáveis pela respiração como o diafragma e os abdominais. O fisioterapeuta precisa avaliar qual a força respiratória do paciente nessas condições”, explica o Prof. Me. Fabrício da Fontoura, da Fisioterapia.

 

A força precisa ser avaliada para entender se o paciente já tem condições de deixar a ventilação mecânica ou ainda precisa passar por um treinamento de força específico para poder respirar de forma independente. Se isso for feito sem um equipamento específico o paciente pode demorar mais tempo sob ventilação mecânica comprometendo assim o seu prognóstico sob o risco de novas infecções. O equipamento existente hoje no mercado não atende totalmente as necessidades dos profissionais da saúde: “Esse equipamento custa hoje até R$ 9 mil, além de não ter uma acurácia tão boa. O equipamento que criamos capta mais dados por segundo, gerando informações mais precisas que podem ser determinantes nas decisões tomadas na UTI”, explica o professor.


O que é o equipamento?


O equipamento tem nome complicado, manovacuômetro digital MCF001, e foi criado no laboratório de Engenharia Mecânica da Universidade. “Em uma conversa com o professor Fabrício vimos que havia a possibilidade da Engenharia Mecânica contribuir para a área da saúde! Partimos então para ver as necessidades e os instrumentos utilizados nas UTIs e vimos qual instrumento poderia ser construído pela mecânica e que pudesse contribuir para a avaliação de pacientes”, contextualiza o Prof. Dr. Charles Rech, coordenador da Engenharia Mecânica. O protótipo foi construído por ele utilizando um conversor A/D, um sensor de pressão, um comunicador wireless e programação de software. O produto está em processo de patente e o projeto será disponibilizado para que outras UTIs possam construir o equipamento a baixo custo. "O equipamento elaborado por nós custa no máximo R$ 50 e as informações são armazenadas nas 'nuvens' via celular e ou computador", detalha Rech. O equipamento precisa ser registrado e aprovado pela ANVISA para ser liberado seu uso clínico na população geral, por enquanto, pode ser utilizado em estudos científicos aprovados e pesquisa em populações específicas e com rígidos critérios de segurança ao paciente.


Após muitos testes em laboratórios e nos acadêmicos voluntários, os testes que comprovam a eficácia do manovacuômetro digital foram feitos no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. Os pacientes com lesão medular incompleta que foram avaliados aumentaram a força muscular inspiratória ao longo de três semanas de treinamento. “Os resultados revelaram grande contribuição deste equipamento para a área da saúde, visto que as medições podem ser dinâmicas e em tempo real”, avaliou Isadora.

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